
Saíram os indicados ao Oscar 2007. Algumas constatações podem ser feitas e a principal delas é evidente: os mexicanos invadiram Hollywood. Das 113 indicações nada menos do que 16 delas são de produções dirigidas por mexicanos, incluindo indicações importantes como filme, direção, atriz coadjuvante e roteiro original para “Babel”, e roteiro original e filme estrangeiro para “O Labirinto do Fauno”. A onda latina, que já havia chegado ao mundo da música, chegou finalmente às telas norte-americanas, e por tabela no mundo todo.
O ar levemente intelectual e alternativo que Hollywood respira com as produções do país do RBD e do Chaves (o personagem infantil, não o presidente populista) dá um frescor e renova em certa medida o modo viciado de fazer cinema na poderosa indústria norte-americana.
Os cineastas mexicanos chegaram à Hollywood atravessando legalmente a fronteira, sem ajuda de coyotes e com os papéis em dia, viu senhor governador Schwarzenegger!. O muro separatista sonhado por Bush, isolando a nação americana dos chicanos, não seria suficiente para impedir essa invasão.
Mas não nos enganemos, caros amigos. Este surto de bom mocismo de Hollywood contém seu inevitável caráter comercial. Nada mais natural se levarmos em conta que o espanhol é a segunda língua falada nos States. A abertura das portas para os filmes e diretores latinos é quase uma imposição do mercado doméstico. Mas convenhamos, a safra latina é por demais promissora. Resta saber qual será o movimento seguinte desta invasão. Hollywood absorve e aprende com a criatividade do trio Alejandro Iñiarritu, Alfonso Cuaron e Guillermo Del Toro, ou Hollywood engole os mexicanos e os transforma numa nova versão dos “Três Amigos”?

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